O futuro de BH, e, mais amplamente, da Região Metropolitana, será definido principalmente através das condições de mobilidade
O prefeito Marcio Lacerda que, nestes pouco mais de dois meses à frente da administração municipal, tem exibido invejável fôlego, anunciou no início de março que aproximadamente R$ 3 bilhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) serão investidos em Belo Horizonte, na expansão do metrô e em obras viárias conectadas com a melhoria da infraestrutura de transportes tendo em mira a possibilidade de que a cidade seja uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Dentre as obras previstas, o prefeito citou a conclusão da duplicação da Avenida Antônio Carlos e da Avenida Pedro I, revelando ainda que até julho deverá estar concluído um ambicioso programa sobre as condições de mobilidade nos próximos 20 anos, sem prejuízo de intervenções emergenciais já em andamento.
O futuro de Belo Horizonte, e, mais amplamente, da Região Metropolitana, será definido, não há porque duvidar, principalmente através das condições de mobilidade. E num contexto, imagina-se, em que haverá pouco espaço para o transporte individual - o automóvel tal como o conhecemos e utilizamos hoje - e os coletivos que disputam espaço entre si, com mínima eficiência. Os problema hoje enfrentados, em que a velocidade média alcançada nos deslocamentos em horas de pico está dentro de padrões inaceitáveis, são a consequência previsível do aumento exponencial da frota sem o aumento equivalente do espaço de circulação, combinado com a ausência de alternativas - transporte de massa - para quem precisa se deslocar. Pesam ainda, com certeza, questões inerentes ao desenho da região central da cidade, o crescimento desordenado de seu entorno e a própria topografia.
Numa visão de médio prazo, como pretende o prefeito Marcio Lacerda, tudo isso terá que ser devidamente ponderado para que então surjam soluções verdadeiramente ousadas, voltadas para um sistema integrado que só será eficiente se tiver como eixo o metrô, aqui entendido como uma rede ampla o suficiente para cobrir os quatro cantos da cidade, ficando as grandes vias rápidas com a missão de alimentá-lo e aos coletivos o papel reservado o papel de assegurar a capilaridade desse conjunto. Disponibilizadas alternativas confiáveis, o transporte individual, o automóvel, teria um papel menos relevante que o atual, exatamente como já acontece nas grandes cidades do mundo desenvolvido.
Este é o caminho, não temos dúvidas, assim como não duvidamos de que é fundamental, agora, sintonizar as ações e realizações mais imediatas, que são reconhecidamente paliativas, com esta visão de futuro.
Fonte: Diário do Comércio, 11/03/2009.
Imagem: Paulo Fernando Vieira de Almeida
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