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  • SP vai ter faixa exclusiva para moto do centro até o Ibirapuera

    A "motovia" na Avenida 23 de Maio irá da Praça João Mendes à Avenida Sena Madureira; espaço será suprimido das quatro faixas existentes

    Uma nova faixa exclusiva para motos será criada em São Paulo, na tentativa de reduzir os acidentes com motociclistas na Avenida 23 de Maio. A chamada "motovia" será implantada um trecho de 7 quilômetros, entre a Praça João Mendes, no Centro, e a Avenida Sena Madureira, na zona Sul, próximo da sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), no Ibirapuera.

    Dia 15 de abril, técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), responsáveis pelas obras, já haviam recebido ordem para iniciar os trabalhos na Rua Vergueiro. Entre o Viaduto Pedroso de Morais, perto da Estação Paraíso do Metrô, e o acesso à Avenida Sena Madureira, dois retornos serão bloqueados para que a faixa exclusiva possa ser instalada junto ao canteiro central. A motovia deverá ter entre 1,2 metro e 1,5 metro de largura - espaço que será suprimido das quatro faixas existentes.

    O novo projeto segue os mesmos moldes que foi implementado em setembro de 2006 na Avenida Sumaré, na zona Oeste: sem serem suprimidas, as faixas de carros ficaram mais estreitas e a de motos teve a velocidade máxima reduzida de 70 km/h para 60 km/h. De acordo com as regras estabelecidas pela CET, os motoboys podem trafegar entre os carros, mas os motoristas que invadirem a faixa são multados em R$ 127,69.

    O projeto da faixa exclusiva alternativa à Avenida 23 de Maio foi apresentado em fevereiro deste ano aos representantes do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas do Estado de São Paulo. Na ocasião, o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, disse aos sindicalistas que a faixa seria uma medida experimental, como também foi a da Sumaré. "Nossa reivindicação mesmo são as motofaixas em vias expressas, com a 23 de Maio e as Marginais, mas a Prefeitura ainda está estudando a idéia", disse Gilberto Almeida dos Santos, presidente da entidade.

    No início de abril, o secretário já havia falado da intenção de implementar novas faixas para motos na capital, como prevê também o Plano de Metas da atual gestão municipal paulistana enviado à Câmara. Em janeiro de 2008, a Prefeitura tentou instalar um corredor exclusivo para motos num trecho da Avenida 23 de Maio, mas a experiência durou três dias, por causa dos congestionamentos criados. O secretário chegou a anunciar na mesma época a proibição de motos nas pistas expressas das Marginais, mas desistiu da medida.

    De lá para cá, a administração municipal parou de apresentar propostas para reduzir o número de acidentes com motos. No ano passado, dos 1.463 pessoas que morreram no trânsito paulistano, 478 eram motociclistas. "Para evitar essa situação, não vemos outra alternativa que não sejam os corredores exclusivos", disse Santos, presidente do sindicato dos motoboys.

    O médico Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), também é favorável às motofaixas. "Não podemos conceber que as motos circulem com veículos que não são do mesmo porte. Isso sempre favorecerá o acidente." Aliado aos corredores exclusivos, Dirceu defende que as motos sejam proibidas de circular entre os carros - conforme projeto que foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Já o consultor de trânsito Horácio Figueira, integrante da Associação Brasileira de Pedestres, criticou a Prefeitura e voltou a ressaltar que os corredores deveriam priorizar o transporte coletivo. "Vai ser a mesma bagunça que foi a da 23 de Maio."

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Naiana Oscar, 16/04/2009.




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