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  • Moto resgate vira anjo de plantão

    Bombeiros de MG implantaram o serviço, que reduz o tempo de atendimento e aumenta chances de salvamento

    Luzes piscando, o som da sirene, além de mãos amigas, são visões que um acidentado deseja o mais rápido possível. Para reduzir drasticamente o tempo de demora entre o chamado e o efetivo atendimento, nas mais diversas ocorrências que realiza diariamente, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais implantou, em setembro, inicialmente na RMBH, o serviço avançado de moto resgate, que, por sua facilidade de locomoção, é capaz de chegar ao local solicitado, com equipamento de socorro e pessoal treinado, muito mais rapidamente.

    Segundo o coronel Cláudio Teixeira, ex-comandante operacional da corporação, nos horários de pico, uma ambulância, mesmo com a boa vontade dos motoristas, pode levar até 22 minutos no deslocamento, enquanto a moto gasta oito minutos. A expressiva diferença pode significar a vida do acidentado. O novo serviço conta com 10 motos Honda Falcon 400, totalmente equipadas e distribuías para cinco duplas, espalhadas de forma estratégica nos batalhões e postos avançados dos bombeiros pela cidade, onde a demanda é historicamente maior.

    Quando o atendimento é solicitado, um analista faz a triagem e verifica qual dupla de moto está mais próxima para ser acionada via rádio. O coronel Teixeira, motociclista nas horas vagas e que fez questão de pilotar uma das unidades no período de treinamento e implantação do serviço, explica que, pela agilidade, as motos também atendem em locais de difícil acesso, em aglomerados, onde a ambulância não entra pelo tamanho, em trilhas, resgatando caminhantes, treieiros, e no combate a queimadas, por exemplo.

    As motos são equipadas com fortes luzes extras vermelhas na dianteira e na traseira, sirene com quatro toques, rádio ligado no capacete e na central, celular, extintor, antenas anticerol, além do baú com equipamentos. Uma das motos vai com material de imobilização e ferimentos, gases, desinfetantes, talas, colar cervical, além de cordas e até equipamento para rapel. A outra vai com material cardiorrespiratório, como desfibrilador, oxímetro e respirador manual para adultos e crianças. As duas juntas  dão suporte ao acidentado, com  os pilotos paramédicos, até a ambulância, helicóptero ou outro resgate chegar, se for o caso.

    O coronel relata que os bombeiros realizam cerca de 250 atendimentos por dia, nas mais diversas modalidades. Desses, 35, ou 14%, são com motociclistas, quase sempre jovens, entre 18 e 30 anos, necessitando de  longa internação hospitalar e período de recuperação, provocando um grande problema econômico e social. Sem trabalhar, deixam em dificuldades a família e geram pesados custos ao Estado. Já se registrou, por exemplo, uma inédita colisão entre três motos. Para reduzir esse fenômeno, o coronel estuda uma ampla campanha de conscientização envolvendo todos os setores e segmentos envolvidos.

    Relata, também, que as motos já fizeram parte dos bombeiros, de 1927 até a década de 50, quando Harley-Davidsons com sidecars transportavam bombas de pressão para serem conectadas aos hidrantes. E afirma que os ótimos resultados com as motos de resgate atuais serão estendidos a outras cidades de maior porte em Minas com a aquisição de mais 10 unidades e aparelhamento das atuais com o sistema GPS, para acelerar ainda mais os deslocamentos. Os pilotos das motos, selecionados entre os próprios bombeiros, recebem um intenso treinamento, com técnicas de pilotagem no asfalto e na terra, em diversos cursos em Minas e em outros Estados.

    Fonte: Estado de Minas, Marlos Ney Vidal, 16/11/2008.




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