Aprovação do serviço mototáxi pelo Senado é contestada
Entre as justificativas estatísticas como 95% das quedas de moto acarretam traumatismo
craniano.
A Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) enviará documento ao Senado reafirmando posição
histórica contrária à aprovação do mototáxi O
posicionamento foi motivado pela tramitação na Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania do Senado de projeto de lei propondo a regulamentação das profissões
de motofretista ou motoboy e de mototaxista. A ANTP defende que deva haver
regulamentação da atividade de motoboys, e reitera que o mototáxi é ameaça à
segurança e qualidade de vida nas cidades.
Diante de projeto de lei em tramitação no Senado, propondo a
regulamentação das profissões de motofretista ou motoboy e de mototaxista, por
decisão do Conselho Diretor, que se reuniu em 27 de abril de 2009, o presidente
da ANTP, Ailton Brasiliense Pires, encaminhará carta ao presidente do Senado,
senador José Sarney, e ao presidente da Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania daquela Casa, senador Demóstenes Torres, reiterando oficialmente a
posição histórica da Entidade, contrária ao mototáxi.
A ANTP entende de
que a motocicleta não é o veículo adequado para o transporte remunerado de
passageiros, por diversos fatores, entre os quais se incluem a falta de
segurança para ocupantes do veículo, a possibilidade de disseminação de doenças
pelo uso de um mesmo capacete por diferentes pessoas, a impossibilidade de
controle e fiscalização do serviço, e o risco de desorganização do sistema de
transporte público urbano.
Há um ano e meio, quando da votação de projeto
semelhante na Comissão de Viação e Transporte da Câmara Federal,por meio de
carta assinada pelo então presidente Rogerio Belda – intitulada A liberação
dos serviços de mototáxi ameaça à segurança e a qualidade de vida nas
cidades – a ANTP expôs as diversas razões que impedem as motos de serem
utilizadas para o transporte de passageiros.
Em 23 de abril de 2009, houve na
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado audiência pública para
discutir a regulamentação da profissão de mototaxista; se aprovada, a
regulamentação, na prática, significará a aceitação do mototáxi como modalidade
de transporte em todo o País. A proposta está contida no Projeto de Lei do
Senado 203/01.
Dias antes a audiência pública, o presidente da Frente
Nacional de Prefeitos (FNP), prefeito João Coser, de Vitória, e o presidente do
Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Públicos de Transporte e Trânsito,
Dílson Peixoto, encaminharam carta conjunta ao senador Demóstenes Torres, na
qual, a exemplo da ANTP, se colocam contra a legalização do mototáxi.
A
ANTP foi convidada para essa audiência pública e, apesar de não ter participado
com um representante designado, se sentiu representada por seu vice-presidente,
o secretário de Estado dos Transportes e da Integração Metropolitana de Sergipe,
João Bosco Mendonça, que, na ocasião, representava oficialmente o Fórum Nacional
e a Frente Nacional de Prefeitos. “O pensamento de João Bosco Mendonça sobre
esse tema reflete plenamente a opinião do Conselho Diretor”, assinalou o
superintendente da ANTP, Marcos Pimentel Bicalho.
Quando da tramitação de matéria semelhante na Comissão de Viação e Transporte da
Câmara Federal, em novembro de 2007, o deputado Mauro Lopes, em substitutivo que
acabou aprovado, propôs que fosse regulamentada a profissão de motofretista ou
motoboy, e rejeitada a regulamentação das atividades de mototáxista, por se
tratar de transporte público de passageiros. No entender de Lopes, os mototáxis
não atendem à condição de transporte público, tal como está estabelecido na
Constituição Federal e na Lei de Concessões.
Nesta recente audiência
pública do Senado e em outras declarações, João Bosco Mendonça também faz a
diferenciação entre motoboys e mototaxistas. Ele assinala que os motoboys
exercem uma atividade profissional deve ser regulamentada; sobre a
regulamentação do mototáxi, afirma ser contra, por acarretar duplo risco, à
saúde e à segurança da população.
Segundo o secretário sergipano,
diferentemente do carro, a segurança na condução da moto depende de o piloto e o
carona conseguirem realizar movimentos sincronizados. “Deve haver certa
intimidade entre o piloto e o carona para que possam fazer tais movimentos, e
isso não acontece no transporte realizado pelos mototaxistas”. Ele também frisa
que um capacete que seja utilizado de 30 a 40 pessoas por dia, fatalmente será
foco de transmissão de doenças.
Para quem quiser ter uma
boa noção de aspectos de segurança envolvidos no transporte de passageiros por
motos, é recomendável a leitura da cartilha Mototáxi, uma ameaça à
população, produzida em 2008 pela Frente Parlamentar de Transportes
Públicos, com dados e opiniões de especialistas. Nessa cartilha, há depoimento
do médico Dirceu Rodrigues Alves, chefe do Departamento de Medicina Ocupacional
da Associação Brasileira de Medicina de Trânsito (Abramet), e especialista em
Medicina de Tráfego e Aeroespacial: “A moto não foi feita para transportar
passageiros”, disse ele apresentando números sobre acidentados com motos: 2% têm
traumatismo e tórax, 4% sofrem lesões no abdômen, 12% têm lesões nos membros
superiores, 17% têm lesões múltiplas, como escoriações, 21,55% correspondem a
lesões na face, que acontecem mesmo com capacete, 30% têm comprometimento da
pélvis dos membros inferiores, e 95% das quedas de moto acarretam traumatismo
craniano.
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