Este é o início da implantação do Projeto Pedala BH, que prevê a construção de 345 quilômetros de ciclovias nos próximos anos
A Prefeitura de Belo Horizonte deve inaugurar até julho deste ano 19 quilômetros de ciclovias, que vão ligar várias regiões da cidade. A informação é do engenheiro Ricardo Lott, assessor da Presidência da BHTRANS, que assegurou o lançamento da licitação para as obras dentro de 30 dias. Segundo ele, a idéia é interligar estações de ônibus e metrô, onde esses equipamentos poderão ser depositados em bicicletários com vigilância. A implantação dessas vias especiais de tráfego inaugura, na capital, o "Projeto Pedala BH", que possui uma previsão geral de construção de 345 quilômetros de ciclovias nos próximos anos. Em resumo, trata-se de uma grande reforma na cidade, para incentivar as pessoas a usarem mais a bicicleta, a exemplo do que já acontece com grandes metrópoles, como Paris, Nova Iorque e, mais recentemente, Rio de Janeiro.
Os primeiro 19 quilômetros de ciclovias vão contemplar as ligações Leste-Estação Central, com início na Rua Itaituba, no Bairro São Geraldo (Zona Leste), percorrendo a Avenida dos Andradas. Ouro trecho vai unir a Savassi (Região Centro-Sul) até a Avenida dos Andradas, chegando à Praça da Estação. Na Zona Oeste, a ciclovia vai do Barreiro, da Avenida Tereza Cristina, até a Estação BHBUS, na mesma região. Na Nordeste, a via especial começa na Avenida Saramenha, no Bairo Guarani, seguindo até a estação de integração no Bairro São Gabriel. Outro trecho de ciclovia vai percorrer a Avenida Américo Vespúcio, na Zona Noroeste, com início na Avenida Antônio Carlos até a Avenida Carlos Luz (Catalão). O sexto trecho cicloviário, denominado Rota Norte, vai contemplar a ligação da Avenida Vilarinho, em Venda Nova, ao Museu de Arte da Pampulha.
De acordo com o engenheiro da BHTRANS, a expectativa é que as obras de implantação aconteçam em três meses. O edital de licitação deve ser lançado em abril e a previsão indica que as novas vias de tráfego devem ter suas obras concluídas em julho ou agosto. Para o futuro, afirma Lott, o projeto prevê a possibilidade de que as pessoas que possuem e usam bicicletas para deslocamentos mais longos possam até levar esses equipamentos em trens metropolitanos e ônibus adaptados para carregar esses veículos.
"Este é um problema para o futuro, mas reforça os planos que temos para permitir que a bicicleta seja um meio de transporte largamente utilizado na cidade", argumentou o engenheiro. "Pretendemos construir de 30 a 40 quilômetros por ano de ciclovias na área urbana, iniciando a implantação com interligações entre estações de integração." Posteriormente, adianta, os planos apontam a possibilidade da construção de ciclovias dentro dos bairros, aumentando as opções para quem gosta e usa a bicicleta como meio de transporte. "A intenção é também contribuir para que as pessoas que já usam ou gostariam de usar esse tipo de veículo como meio de transporte frequente possam fazê-lo diariamente. O projeto prevê a necessidade de criar meios para incentivar e criar conforto e segurança para os usuários de bicicletas", comentou Lott.
O engenheiro informa que nos bicicletários, que serão construídos nas estações de integração e pontos iniciais e finais de ciclovias, haverá vigilância constante para garantir segurança e evitar furtos. Ricardo Lott adiantou que existe um plano para que empresas particulares, bancos e instituições oficiais contribuam para o incremento do uso da bicicleta como meio de transporte comum, criando bicicletários para seus funcionários. Lott argumentou que essa medida seria um bom incentivo para aumentar o número de ciclistas na cidade. Ele reconheceu que, do ponto de vista educacional, esse projeto é ambicioso. Mas lembrou que "temos que começar agora, para que possamos obter os lucros ambientais e de trânsito mais tarde".
Ainda de acordo com Lott, um estudo realizado pela Fundação João Pinheiro, em 2002, aponta que são realizadas, em BH, 4 milhões de viagens por dia, somados todos os deslocamentos de toda a população. Desses, 40% são feitos por ônibus; 29% a pé; e 18% em automóveis de passeio. De bicicleta seria 0,6% do total, ou seja, 25,3 mil viagens por dia. O número é apenas um décimo de ponto percentual menor que o número de viagens realizadas por táxis na capital, 0,7% do total, e as de trem ou metrô, pouco mais que isso, 1%.
"O estudo é um pouco antigo, mas ainda muito confiável. No Brasil, em média, 2,8% das viagens são feitas por bicicleta, mas nas cidades com população acima de um milhão de habitantes, esse percentual é de 0,9%. A Prefeitura prende incentivar para que ultrapassemos esse uso, e para isso são necessárias obras físicas e uma campanha de popularização do meio de transporte", ressaltou. Ele lembra também que atualmente a maior parte das viagens de bicicleta acontecem nos bairros, e não na região central.
Fonte: Hoje em Dia, Gabi Santos e Augusto Franco, 7/03/2009.
PREFEITURA DE BELO HORIZONTE
EMPRESA DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE BELO HORIZONTE S/A - BHTRANS
Av. Engenheiro Carlos Goulart, 900 - Buritis - 30455902 - Tel: 156