Moto ocupa 4º lugar em causas de óbitos em decorrência de acidentes de transporte terrestre
Os acidentes com motos no país tiveram aumento de 2.252% entre 1990 e 2006. A taxa de óbitos por acidentes subiu de 0,01 para cada 100 mil habitantes para 4,6 no período de seis anos nas cidades com menor porte populacional, até 20 mil habitantes. Em 2006, morreram em Minas Gerais 496 pessoas vítimas de acidentes de motos, taxa de 2,4 para cada grupo de 100 mil habitantes. O Estado ocupa a 23ª posição no país no número de mortos. Nas cidades com maior porte populacional, acima de 500 mil habitantes, esse índice foi de 0,2/100 mil habitantes, em 1990, para 2,6/100 mil habitantes em 2006. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde mostram que, em relação a óbitos em decorrência de acidentes de transporte terrestre, esse tipo de veículo está em quarto lugar.
Em Belo Horizonte, o número de motos – que em 1999 era de 44.634 – passou neste ano para 131.437. No mesmo período, a quantidade de motocicletas no Estado passou de 417 mil para 1,3 milhão. Por causa do aumento de acidentes, o valor do Seguro Obrigatório (Dpvat) de motos foi reajustado 38,53% entre 2007 e 2008. Especialistas do setor acreditam que, em 2009, o índice deve ser superior ao da inflação. “A moto tornou-se uma opção muito interessante diante dos congestionamentos. Além disso, ela é um meio de trabalho para muita gente. O fato de ser mais barata que o automóvel e pode ser financiada por períodos longos também contribui para o aumento da frota”, explicou a autora do estudo, Marli Silva Montenegro, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
O engenheiro Marcos Alvarenga de Sá, especialista na elaboração de projetos viários, defende a criação de pistas exclusivas para motos para frear o número de mortes. Outra medida defendida pelo engenheiro é a melhoria do transporte coletivo, o que incentivaria as pessoas a deixarem a moto ou o automóvel em casa. “Muita gente comprou moto nos últimos anos para economizar e para chegar mais rápido. A maioria dos acidentes graves acontece quando as pessoas fazem costuras no trânsito”, disse. O Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) e a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) não informaram o número de acidentes com motos em 2007 e 2008. Segundo a BHTrans, em 2006 morreram na capital 45 pessoas. O número de acidentes em Belo Horizonte passou de 6.596 para 6.708 entre 2005 e 2006.
Segundo o Ministério da Saúde, em 1990 as mortes por acidentes de trânsito eram mais freqüentes nas cidades com maior porte populacional, mais de 500 mil habitantes. Nesses municípios, a taxa era de 26 mortes/100 mil habitantes. Depois de 1998, com a implantação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a situação se inverteu e os óbitos diminuíram. Em 2006, a taxa nessas cidades caiu para 15,8 mortes/100 mil habitantes. Nas cidades com menos de 20 mil habitantes, a população cresceu 12% e as mortes por acidentes, 80%. E nas cidades com porte entre 20 mil e 100 mil habitantes, a população cresceu 14%, enquanto os óbitos por acidentes tiveram aumento de 40%. Já nos municípios com mais de 500 mil habitantes, houve redução das mortes por acidentes de 10% e um aumento considerável da população de 41%.
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