Desenvolvimento de fontes energéticas alternativas torna possível o sonho de meios de transporte sustentáveis
O transporte é um dos setores da vida moderna com maior dependência dos combustíveis fósseis, pois a maioria dos veículos utiliza motor de combustão interna. Portanto, a adoção de novas fontes energéticas é de grande interesse e um fator fundamental na construção de uma nova infra-estrutura, mais eficiente e com menor impacto ambiental. Dentre as várias tentativas desenvolvidas nesse sentido, destacam-se aquelas que visam a implementação de veículos com emissão zero, conhecidos pela sigla ZEV (zero emission vehicle). Os mais conhecidos são os ônibus movidos a célula de combustível, um dispositivo criado no final dos anos 50 no qual duas substâncias, ao se combinarem, produzem corrente elétrica que aciona um motor. É como uma pilha carregável, na qual os componentes químicos podem ser reabastecidos no exterior. Escolheu-se o hidrogênio como combustível preferível, pois este se combina com o oxigênio do ar, formando água, único componente resultante do processo.
Vários ônibus desse tipo estão em circulação em algumas capitais do mundo, testando sua viabilidade e custos de operação. Destacam-se os modelos Citaro, da Mercedez-Benz, que, em cidades como Londres e Madri, se mostraram viáveis em operação normal. Sua adoção esbarra no custo, tanto do veículo quanto do combustível. O preço dos veículos pode ser reduzido para produção em escala, e soluções engenhosas estão reduzindo drasticamente o custo de fabricação do hidrogênio. Sob a liderança do CNRS francês (Centre National de la Recherche Scientifique) – e com a participação de diversos países – está sendo desenvolvido o projeto Solhycarb, no qual um forno, funcionando com a energia concentrada do sol, realizada a transformação do gás natural em hidrogênio e carbono, sob a forma de negro de fumo. Este possui valor comercial, sendo matéria-prima de alguns dos nanocompostos de carbono mais avançados, como os nanotubos. Assim, a conversão do gás natural seqüestra a carbono, que de outros modo seria lançado na atmosfera, e ainda gera um valor que diminui o preço final do combustível.
Espera-se que nos próximos anos ocorra um aumento do uso de fontes energéticas alternativas no transporte, em linha com diretrizes de sustentabilidade e combate ao aquecimento global. Esse esforço mundial poderá finalmente trazer ao século 21 um processo energético limpo e moderno, rompendo com a produção de energia através da combustão, descendente direta da descoberta do fogo e do tempo das cavernas.
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