Combinando motores a combustão interna e a eletricidade, híbridos preparam terreno para os veículos totalmente elétricos
Veículos híbridos são aqueles que funcionam com dois tipos de propulsão. A maioria conjuga motores a combustão interna (gasolina ou diesel) com elétricos, sendo mais comum nos carros de passeio a combinação da eletricidade com o combustível derivado do petróleo. Quando a Toyota anunciou, em 1997, que iria colocar em produção o híbrido Prius, um sedã de quatro portas e cinco lugares, muitos especialistas ficaram céticos, pois o preço era elevado demais e os incentivos dos governos eram poucos. Atualmente, o modelo já ultrapassou a marca de um milhão e meio de unidades vendidas no Japão e Estados Unidos e quase todas os grandes fabricantes têm, ou terão muito em breve, opções de modelos híbridos.
Os motivos do crescimento das vendas desses modelos movidos a gasolina (ou diesel) e eletricidade são vários, mas o principal é a preocupação do planeta com a redução das emissões de poluentes, principalmente do CO2 (o dióxido de carbono), pois reduzem de forma significativa o consumo de combustível (de 20% a 30%, em relação a um veículo convencional), e a consequente emissão de gases nocivos, e não liberam nenhum poluente quando são movidos apenas pelo (s) motor (es) elétrico (s).
Os híbridos poupam combustível de formas diferentes, pois recuperam a energia perdida nas frenagens e na desaceleração. Essa energia captada é armazenada na bateria como eletricidade que, por sua vez, será usada para alimentar o motor elétrico, que ajuda o propulsor a gasolina, de acordo com a necessidade. Quando o veículo está parado e ou nas arrancadas, o motor elétrico libera o máximo de seu torque (força). Até a velocidade de cerca de 60km/h, o veículo pode ser movido apenas pelo motor elétrico. Se o motorista apertar mais um pouco o acelerador, o motor a gasolina entra imediatamente em ação. Em velocidade de cruzeiro (por exemplo, em quinta marcha, a 100km/h, em uma reta plana), a principal força vem do motor a gasolina, que pode ser suplementado, ou não, pelo motor elétrico.
Se o motor a gasolina produz mais força que o necessário para manter a velocidade de cruzeiro, o excesso de energia é convertido pelo gerador em energia elétrica. Quando o motorista pisa fundo no acelerador, o sistema aproveita toda a força gerada pelos dois motores e pela energia acumulada na bateria. Em descidas, o sistema aproveita a energia cinética para convertê-la em energia elétrica e recarregar as baterias. Mesmo quando o carro está parado (desligado), o motor a gasolina pode entrar em funcionamento se a carga da bateria estiver baixa, funcionando apenas até o nível suficiente para a próxima partida.
Hoje, os carros híbridos já estão em uma segunda fase, ainda mais próxima dos veículos totalmente elétricos: a dos modelos do tipo Plug-in, que têm baterias com capacidade de armazenamento maior e que podem ser recarregadas também na tomada de casa. A maioria dos grandes fabricantes mundiais (Toyota, Mercedes-Benz, Volvo, Honda, General Motors, Ford, BMW, entre outros) já apresentaram conceitos e modelos prontos para a produção com essa tecnologia, enquanto outros anunciam novidades para os próximos anos. Esses veículos têm a mesma estrutura dos híbridos convencionais, mas o fato de poder recarregar as baterias na tomada possibilita que o motorista rode distâncias maiores usando apenas o motor elétrico, mas sem o peso elevado dos veículos movidos apenas a eletricidade.
A Toyota apresentou no Salão de Frankfurt de 2009 o Prius Plug-in e anunciou que vai implementar este ano um programa global de avaliação do modelo, por meio de leasing, com 500 unidades distribuídas no Japão, EUA e Europa. O modelo usa baterias de Lítio, que operam uma tensão maior (350V, contra 200V das atuais) e podem ser totalmente recarregadas em tomadas normais: de 110V, em cerca de três horas; e em 220V, em torno de 1h30m. Com as baterias totalmente carregadas, o carro tem autonomia que pode parecer pequena no modo elétrico (em torno de 24 quilômetros), mas, segundo o fabricante japonês, a maioria dos trajetos urbanos que as pessoas fazem em seus carros é de uma distância inferior a isso, o que permitira o uso apenas da eletricidade na maior parte dos deslocamentos. A velocidade máxima, no modo elétrico, é de 100km/h. Com o tanque cheio e as baterias carregadas, a autonomia sobe para 1.400 quilômetros.
Os carros híbridos ainda devem demorar um pouco para começarem a ser vendidos no mercado brasileiro, pois somente no final do ano passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega anunciou a criação de um grupo de trabalho - formado por representantes dos Ministérios da Fazenda, do Meio Ambiente, de Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com a participação dos fabricantes de veículos - para discutir o desenvolvimento de novas tecnologias para o setor automotivo. E uma das metas desse grupo, além de incentivar o uso de energias renováveis, é estimular a adoção de carros híbridos. De acordo com Mantega, a equipe trabalhará pelo estabelcimento de estratégias de médio e longo prazo. que estimulem a fabricação dos veículos ambientalmente corretos, depois do fim das reduções de IPI para carros com motor flex e a álcool.
Fonte: Eduardo Aquino, Estado de Minas, 11/01/2010.
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