Fonte de energia pouco poluente e com bom desempenho é a melhor escolha para o transporte público
A cidade de Londres, na Inglaterra, famosa por seus ônibus vermelhos de dois andares, segue inovando na área dos transportes públicos: no início de maio, o prefeito da capital inglesa anunciou, com pompa, a encomenda de dez ônibus movidos a hidrogênio, que devem entrar em operação em 2010. “O hidrogênio é o combustível do futuro, pois ajuda a controlar a poluição atmosférica e sonora, sem comprometer o desempenho do veículo”, afirmou Ken Livingstone. A aquisição dos dez novos ônibus, a serem produzidos pela montadora americana ISE, faz parte de um plano ambicioso de ter, até 2015, 5% da frota de veículos públicos – incluindo caminhões, microônibus e carros – impulsionada por motores a hidrogênio. Em Londres, 22% das emissões de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global, são causadas pelo seu sistema de transporte. Os novos veículos possuem uma célula combustível que combina o hidrogênio com o oxigênio capturado do ar, produzindo vapor d’água e energia elétrica; essa energia é usada pelo motor elétrico do ônibus, cujas descargas limitam-se ao vapor d’água – um avanço e tanto quando pensamos na quantidade de fumaça preta que os veículos tradicionais, movidos a diesel, despejam no ar.
Outras cidades do mundo investem em iniciativas similares à de Londres. Oakland, nos Estados Unidos, é uma delas. Na cidade da Califórnia, estado que possui uma das legislações mais restritivas ao sistema de transporte, acaba de ser feita a maior encomenda de ônibus equipados com motores com células de combustível a hidrogênio nos EUA – oito no total, que começarão a transportar passageiros em 2010. O investimento da empresa de transportes AC Transit é resultado de um período de testes feitos com um veículo a hidrogênio, durante dois anos, nos quais, além do benefício de menor emissão de poluentes, constataram-se menor geração de ruído e economia de combustível. Além de Londres e Oakland, outros exemplos de cidades que estão experimentando a tecnologia são Amsterdã, Madri, Luxemburgo e Berlim, que, até o momento, possui a maior frota de veículos movidos a hidrogênio, 14 no total.
No Brasil há duas iniciativas que buscam desenvolver uma tecnologia própria. O primeiro ônibus a hidrogênio genuinamente brasileiro, porém, ainda não saiu do papel. O consenso sobre os benefícios da adoção do hidrogênio como combustível veicular já existe. O que parece frear o seu uso em larga escala é, principalmente, o custo. Os dez ônibus comprados por Londres neste ano, por exemplo, custaram aos cofres da cidade algo em torno de R$ 30 milhões, o que inclui os custos de manutenção por um período de cinco anos. Comparando-se com o valor médio de um ônibus a diesel, cerca de R$ 300 mil, um veículo a hidrogênio chega a custar dez vezes mais. Além disso, há o longo caminho a percorrer para viabilizar uma rede de abastecimento de hidrogênio. Em Londres, ele é obtido a partir do gás natural, o que implica emissões de carbono. E o uso de fontes renováveis, como a energia eólica e a biomassa, ainda é caro.
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